Especial: A TRAVESSIA DO LEITOR O que acontece conosco enquanto lemos "Na Terra da Aflição Morreu Esperança" de Pedrim Pescador

 A TRAVESSIA DO LEITOR O que acontece conosco enquanto lemos "Na Terra da Aflição Morreu Esperança" de Pedrim Pescador


O livro como rito: quando a leitura é também uma travessia


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Há livros que se lêem. Há livros que se estudam. Há livros que se admiram. Mas há uma categoria rara – muito rara – de livros que se atravessam. Entramos neles num ponto, saímos noutro, e quando fechamos a última página algo em nós já não é exatamente o que era antes. São livros que funcionam como ritos de passagem: exigem algo de quem os lê, cobram um preço, transformam.


Na Terra da Aflição Morreu Esperança é um destes livros.


O que proponho aqui é deslocar o foco da análise. Não mais o autor, não mais a estrutura, não mais os personagens – mas nós, os leitores. O que acontece conosco enquanto acompanhamos Doçura e Esperança, Força e Coragem, Fraqueza e Covardia? Que tipo de experiência é esta que Pescador nos oferece? E por que, ao final, nos sentimos também um pouco como sobreviventes de uma travessia?


O teórico da literatura Wolfgang Iser, em O Ato da Leitura, argumentou que "o sentido de uma obra não está pronto no texto, esperando para ser extraído; ele é produzido na interação entre o texto e o leitor" (ISER, 1976, p. 12). Esta produção de sentido é o que buscamos compreender: o que o texto faz conosco, e o que fazemos com ele.


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O CONVITE À ENTRADA: ACONCHEGO COMO ESPAÇO DO LEITOR


A obra começa com uma descrição da Terra de Aconchego. O leitor é convidado a entrar num mundo que parece feito de sonho:


"Reza a lenda que esta história aconteceu há cerca de 3 mil anos. Em um remoto lugar no deserto, afastado de tudo e protegido por montanhas rochosas estava uma preciosa terra, um verdadeiro oásis: a Terra de Aconchego" (PESCADOR, 2024, p. 7).


O tom de lenda, o tempo remoto, a proteção das montanhas – tudo contribui para criar uma sensação de segurança. O leitor, como a família de Esperança, está em casa. Sabe que este lugar existe, que é bom, que ali nada de muito ruim pode acontecer.


A estratégia de Pescador, aqui, é construir um vínculo. Não podemos nos importar com a perda se não aprendermos primeiro a amar o que será perdido. As páginas iniciais são um investimento afetivo: conhecemos as festas, os cheiros, a música, a prosperidade, o santuário. Quando a família decide partir, já queremos que ela fique. Quando ela vai, vamos com ela – mas levando dentro de nós a memória do que foi deixado para trás.


O crítico Norman Holland, em The Dynamics of Literary Response, observou que "o leitor estabelece com o texto uma relação de identificação projetiva – ele se coloca no lugar dos personagens, vive suas aventuras, sofre suas dores" (HOLLAND, 1968, p. 34). Em Aconchego, esta identificação é fácil: quem não gostaria de viver num lugar onde as casas não têm muros, onde a música ecoa por toda parte, onde o cheiro é de cravo e canela?


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O DESCONFORTO DA TRAVESSIA: O DESERTO COMO PROVA DO LEITOR


A primeira travessia do deserto é também a primeira prova do leitor. O texto muda de tom: o ritmo torna-se mais lento, o silêncio ocupa o espaço, a introspecção substitui a ação:


"Esperança, experiente em travessias. As rugas nas laterais dos olhos que o digam. Viajou a maior parte do tempo silencioso, meditando, perguntando-se se fizera o certo ou errado" (PESCADOR, 2024, p. 22).


"Doçura, igual e profundamente calada, deixava escapar algumas lágrimas discretas que os turbantes e faixas no rosto escondiam" (PESCADOR, 2024, p. 22).


O leitor, que até aqui acompanhava a narrativa com a curiosidade de quem visita um lugar novo, é agora forçado a desacelerar. Não há o que ver no deserto, não há o que fazer além de esperar. Esta espera é também nossa: estamos, como os personagens, suspensos entre o que ficou e o que virá.


O psicólogo Victor Turner, estudando os ritos de passagem em sociedades tradicionais, identificou uma fase que chamou de liminar – o momento em que o iniciando não é mais o que era e ainda não é o que será (TURNER, 1969, p. 45). O deserto de Pescador é este espaço liminar. E o leitor, acompanhando a travessia, entra também neste estado: deixamos de ser os leitores confortáveis do início, mas ainda não sabemos o que nos tornaremos.


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O CHOQUE DA CHEGADA: AFLIÇÃO COMO FERIDA NO LEITOR


A chegada a Aflição é um choque planejado. O leitor, que vinha do aconchego, é abruptamente confrontado com a miséria:


"Para assombro de Doçura, entre as barracas e tendas armadas via-se muito lixo, coisas sem uso, coisas quebradas, cordas usadas como varal e um lodo verde que se acumulava nas beiras das ruelas como se fosse esgoto" (PESCADOR, 2024, p. 25).


O "assombro de Doçura" é também o nosso. O narrador poderia ter suavizado a transição, preparado o leitor gradualmente para o horror. Em vez disso, opta pelo contraste brusco – um instante estávamos no paraíso, no instante seguinte estamos no inferno. A violência desta passagem é calculada para nos ferir.


A teórica da literatura Judith Fetterley, em The Resisting Reader, argumentou que "a leitura não é uma atividade neutra – ela nos inscreve em posições, nos faz assumir perspectivas, nos obriga a escolher lados" (FETTERLEY, 1978, p. 23). Em Aflição, somos forçados a escolher: ou nos identificamos com os habitantes da cidade (e aceitamos sua violência como natural), ou nos identificamos com a família de Esperança (e sofremos com ela o estranhamento). Não há posição neutra. O texto nos obriga a tomar partido.


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O APROFUNDAMENTO DA IDENTIFICAÇÃO: SOFRER COM QUEM SOFRE


À medida que a narrativa avança, a identificação do leitor se aprofunda e se diversifica. Não sofremos apenas com Doçura – sofremos com Fraqueza, com Força, com Coragem, até com Covardia em seus momentos de vulnerabilidade.


A cena em que Doçura explode contra Covardia é exemplar:


"Doçura pegou uma vassoura e deu com ela em Covardia, gritando e enxotando-a do Mercado, à vista de todos os clientes" (PESCADOR, 2024, p. 40).


O leitor que acompanhou a trajetória de Doçura compreende sua explosão – mas também compreende, ou começa a compreender, a situação de Covardia. Esta dupla compreensão é uma das marcas da grande literatura: não nos deixa tomar partido simples, não nos oferece vilões puros nem heróis sem mácula. Somos forçados a habitar a ambiguidade.


O filósofo Martha Nussbaum, em Justiça Poética, observou que "a literatura nos educa para a percepção moral – ela nos ensina a ver o particular, a considerar o contexto, a suspender o julgamento precipitado" (NUSSBAUM, 1995, p. 34). Em Pescador, esta educação é dolorosa. Aprendemos a ver a humanidade em Covardia justamente quando ela é mais agressiva; aprendemos a ver a fragilidade em Maustratos justamente quando ela é mais odiosa. O texto nos obriga a olhar duas vezes – e este duplo olhar é o que nos transforma.


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O TRAUMA COMPARTILHADO: A MORTE DOS IRMÃOS


A morte de Força e Coragem, seguida do estupro de Covardia, é o ponto de maior tensão na experiência do leitor. Até aqui, por mais duro que fosse o texto, havia uma espécie de pacto de segurança – acreditávamos que, no fundo, os personagens principais estariam a salvo. A morte de Esperança já havia abalado esta crença, mas ainda restavam os filhos. Agora, não resta mais nada.


"Doçura e Fraqueza já estavam de pé e estavam preocupadas, pois os rapazes não tinham voltado e logo o mercado precisaria ser aberto" (PESCADOR, 2024, p. 85).


A construção da cena é cruel: o leitor sabe o que aconteceu, mas acompanha a expectativa das personagens que ainda não sabem. Este descompasso entre o que sabemos e o que elas sabem gera uma tensão quase insuportável. Quando Doçura finalmente vê os corpos, sua dor é também nossa:


"Sem acreditar, pôs a mão na testa, aproximou-se deles e irrompeu também aos prantos, e choros e gritos!" (PESCADOR, 2024, p. 85).


O crítico Peter Brooks, em Reading for the Plot, observou que "o leitor é levado a desejar certos desfechos, a temer certos eventos, a investir afetivamente na narrativa" (BROOKS, 1984, p. 45). Em Pescador, este investimento é tão intenso que a frustração das expectativas se torna uma experiência de luto. Choramos com Doçura não apenas porque a personagem chora, mas porque nós também perdemos algo – a esperança de que a história terminaria bem, a confiança de que a literatura nos protege do horror extremo.


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O SILÊNCIO DO LUTO: O QUE RESTA DEPOIS DA TRAGÉDIA


Os capítulos que se seguem à morte dos irmãos são os mais difíceis da obra. Não porque neles aconteça algo terrível – justamente o contrário: neles não acontece quase nada. O mercado fecha, o silêncio ocupa o espaço, o tempo se arrasta:


"Após o sepultamento dos rapazes, Doçura começou a arrumar as coisas para ir embora da Terra da Aflição. Entrava no mercado, olhava os produtos nas prateleiras e várias peças e jarros que eram colocados na calçada, amontoados próximos à porta. Perdia-se no vazio repleto de itens a sua frente" (PESCADOR, 2024, p. 87).


Este "perdia-se no vazio repleto de itens" é uma descrição precisa do estado de choque. E o leitor, que vinha num ritmo acelerado de acontecimentos, é forçado a desacelerar junto com a personagem. Não há mais o que esperar, não há mais o que temer – o pior já aconteceu. Resta apenas o vazio.


A teórica do trauma Cathy Caruth, em Experiência Inaudita, observou que "o trauma não é apenas o evento violento, mas também a incapacidade de assimilá-lo – o que faz com que ele retorne, insistentemente, na memória e no sonho" (CARUTH, 1996, p. 23). Em Pescador, este retorno é encenado pela repetição das cenas cotidianas: Doçura vê os filhos nas prateleiras, ouve suas vozes, espera que entrem pela porta. O leitor, que acompanhou estas cenas quando os filhos estavam vivos, revive com ela cada memória.


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A SEGUNDA TRAVESSIA: O LEITOR COMO SOBREVIVENTE


Quando Doçura e Fraqueza decidem partir, algo mudou no leitor. Já não somos os mesmos que iniciaram a leitura. Atravessamos conosco o deserto, sofremos as perdas, experimentamos o luto. Agora, na segunda travessia, estamos exaustos – mas também purificados, de algum modo.


"Alguns dias de viagem, ambas inexperientes conseguiram sobreviver muito bem. Fizeram pausas certas, mantiveram-se na rota certa avistando outros peregrinos e viajantes, sempre com o coração na mão, travestidas de homens por fora, mas intercedendo ao Eterno proteção para aquela passagem" (PESCADOR, 2024, p. 92).


A segunda travessia é mais rápida, mais seca, mais objetiva. O leitor, que na primeira travessia ainda estava descobrindo o mundo, agora já sabe o que esperar – e esta sabedoria é também um peso. Sabemos que o deserto pode matar, sabemos que a esperança pode morrer, sabemos que não há garantias. Mas sabemos também que é possível atravessar.


O antropólogo Arnold van Gennep, em Os Ritos de Passagem, identificou três fases nestes rituais: separação, margem (liminaridade) e agregação (VAN GENNEP, 1909, p. 56). Em Pescador, a primeira travessia é a separação (deixar Aconchego), a estadia em Aflição é a margem (o tempo de provação), a segunda travessia é a agregação (o retorno). O leitor, ao completar o ciclo, é agregado a uma nova comunidade – a comunidade dos que leram, dos que sofreram com os personagens, dos que sobreviveram à travessia.


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O RETORNO A ACONCHEGO: A CATARSE E SEUS LIMITES


A chegada a Aconchego é o momento de catarse – a purgação das emoções acumuladas ao longo da travessia:


"Seus olhos encheram-se de lágrimas e lá vinha Doçura cantarolando e tocando os camelos para que andassem mais rápido. Tirou os panos que cobriam seu rosto e sorria para Fraqueza" (PESCADOR, 2024, p. 92-93).


O leitor, que atravessou o deserto com Doçura, que chorou suas perdas, que esperou com ela o luto passar, agora pode sorrir com ela. A catarse funciona: as lágrimas que vêm aos olhos de Doçura são também as nossas, e o sorriso que ela oferece a Fraqueza é também oferecido a nós.


Mas Pescador não nos dá um final completamente feliz. Doçura e Fraqueza chegam a Aconchego, mas os mortos não ressuscitam. Covardia fica em Aflição, com seus pesadelos. Iraldo e Maus-Tratos continuam sendo o que sempre foram. A catarse é real, mas é limitada – não apaga o que aconteceu, apenas nos permite seguir em frente.


O filósofo Aristóteles, na Poética, definiu a catarse como a "purgação das emoções de piedade e terror" (ARISTÓTELES, séc. IV a.C., p. 34). Em Pescador, esta purgação não nos deixa limpos – nos deixa marcados. As emoções foram purgadas, mas as cicatrizes permanecem. E é precisamente esta permanência que torna a experiência tão profunda.


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O EPÍLOGO: O LEITOR ENCONTRA O AUTOR


O último capítulo do livro é uma surpresa. Depois de dezesseis capítulos de narrativa ficcional, Pescador interrompe a ficção e fala diretamente ao leitor:


"Primeiramente, queria agradecer a você, leitor desta história. Espero que tenha gostado do estilo literário, por mais trágica que seja" (PESCADOR, 2024, p. 96).


O efeito é desconcertante. O mundo que habitamos até agora, o mundo de Aconchego e Aflição, de Doçura e Fraqueza, de Esperança e Covardia – este mundo era ficção, mas de repente o autor emerge dele e nos olha nos olhos. A distância entre nós e a história se desfaz.


Pescador conta a origem do livro: uma palestra numa casa de recuperação feminina, a necessidade de contar a história de Rute de um modo que envolvesse as acolhidas, a liberdade criativa de preencher as lacunas bíblicas. De repente, a tragédia que lemos não é apenas sobre personagens distantes – é sobre pessoas reais, sobre mulheres em situação de vulnerabilidade, sobre o poder da narrativa de curar.


O teórico da literatura Philippe Lejeune, em O Pacto Autobiográfico, estudou este momento em que o autor se revela ao leitor, estabelecendo um novo tipo de contrato de leitura (LEJEUNE, 1975, p. 34). Em Pescador, este contrato é: "o que você leu não é apenas ficção – é também testemunho. E você, que leu, é agora também testemunha."


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O QUE FICA: O LEITOR APÓS A LEITURA


A pergunta final, a mais difícil, é: o que fica? Quando fechamos o livro, quando a última página é virada, quando Doçura e Fraqueza já estão em Aconchego e nós já estamos de volta à nossa vida – o que carregamos conosco?


Carregamos, primeiro, uma memória olfativa. O cheiro de cravo e canela, o fedor de peixe podre, o aroma de lavanda de Fraqueza – estas sensações não são apenas palavras, são impressões que o texto gravou em nós. Sempre que sentirmos certos cheiros, talvez lembremos de Aconchego ou Aflição.


Carregamos, segundo, uma tríade. "Esperança, força e coragem" – estas palavras, repetidas tantas vezes, tornaram-se um mantra que podemos usar em nossas próprias travessias. O texto nos deu uma ferramenta para enfrentar desertos futuros.


Carregamos, terceiro, uma pergunta. Fraqueza tornou-se forte; Covardia não. O que fez a diferença? Por que uma sobrevive e a outra não? A pergunta não tem resposta fácil, mas é precisamente esta dificuldade que a torna importante. O texto nos obriga a pensar sobre as condições da sobrevivência, sobre o que permite a alguém atravessar a aflição sem morrer por dentro.


Carregamos, finalmente, uma aliança. Doçura e Fraqueza, sogra e nora, unidas pela travessia. O leitor, que as acompanhou, é também um pouco parte desta aliança. Fomos admitidos na comunidade das que escolheram caminhar juntas.


O crítico Roland Barthes, em A Câmara Clara, escreveu sobre a fotografia que ela nos dá não a coisa, mas o ter-estado-aí da coisa (BARTHES, 1980, p. 45). Algo análogo ocorre com a literatura de Pescador: não nos dá Aconchego, não nos dá Aflição, não nos dá Doçura e Fraqueza – mas nos dá o ter-estado-lá com elas. E este ter-estado-lá é o que nos transforma.


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CONCLUSÃO: O LEITOR COMO SOBREVIVENTE


Ao final de Na Terra da Aflição Morreu Esperança, o leitor é também um sobrevivente. Atravessou o deserto, enfrentou a violência, perdeu personagens amados, experimentou o luto, e chegou, com Doçura e Fraqueza, a Aconchego. Não é o mesmo leitor que começou o livro. Algo nele morreu no caminho; algo nele renasceu.


A grandeza da obra de Pedrim Pescador está em não nos poupar desta travessia. Poderia ter escrito um livro confortável, uma parábola edificante com final feliz e lição de moral. Em vez disso, escreveu um livro que nos obriga a sofrer, a duvidar, a esperar contra a esperança – e só então, no limite da exaustão, nos oferece o consolo do retorno.


O leitor que aceita esta travessia sai dela mais humano. Aprendeu que a esperança pode morrer, mas que seu nome pode sobreviver. Aprendeu que a fraqueza pode tornar-se força, desde que haja aliança. Aprendeu que o deserto se atravessa – não sozinho, mas junto.


E talvez, ao fechar o livro, este leitor repita para si mesmo, como um mantra, as palavras que Doçura ensinou: esperança, força e coragem. Não porque acredite que elas bastem, mas porque aprendeu, com a narrativa, que são o único recurso de quem precisa atravessar.


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Referências bibliográficas


ARISTÓTELES. Poética. Tradução de Eudoro de Souza. São Paulo: Ars Poética, séc. IV a.C.


BARTHES, Roland. A Câmara Clara. Tradução de Júlio Castañon Guimarães. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1980.


BROOKS, Peter. Reading for the Plot: Design and Intention in Narrative. Cambridge: Harvard University Press, 1984.


CARUTH, Cathy. Experiência Inaudita: Trauma, Narrativa e História. Tradução de Leticia Velloso. Belo Horizonte: Autêntica, 1996.


FETTERLEY, Judith. The Resisting Reader: A Feminist Approach to American Fiction. Bloomington: Indiana University Press, 1978.


HOLLAND, Norman. The Dynamics of Literary Response. Oxford: Oxford University Press, 1968.


ISER, Wolfgang. O Ato da Leitura: Uma Teoria do Efeito Estético. Tradução de Johannes Kretschmer. São Paulo: Editora 34, 1976.


LEJEUNE, Philippe. O Pacto Autobiográfico: De Rousseau à Internet. Tradução de Jovita Maria Gerheim Noronha. Belo Horizonte: UFMG, 1975.


NUSSBAUM, Martha. Justiça Poética: A Imaginação Literária e a Vida Pública. Tradução de Maria Emília Pereira. São Paulo: Martins Fontes, 1995.


PESCADOR, Pedrim. Na Terra da Aflição Morreu Esperança. Vila Velha/ES: Edição do Autor, 2024.


TURNER, Victor. O Processo Ritual: Estrutura e Anti-Estrutura. Tradução de Nancy Campi de Castro. Petrópolis: Vozes, 1969.


VAN GENNEP, Arnold. Os Ritos de Passagem. Tradução de Mariano Ferreira. Petrópolis: Vozes, 1909.


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Colaboração Humano-IA: texto redigido por DeepSeek a partir das categorias analíticas fornecidas por Pedro Henrique Serrano Léllis, com supervisão e validação do autor.

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