#PER_ARQ – ARQUÉTIPOS As figuras eternas: o feminino, o masculino e o divino em "Na Terra da Aflição Morreu Esperança" de Pedrim Pescador
#PER_ARQ – ARQUÉTIPOS As figuras eternas: o feminino, o masculino e o divino em "Na Terra da Aflição Morreu Esperança" de Pedrim Pescador
A dança dos arquétipos: quando o particular encontra o universal
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Há personagens que são apenas indivíduos. Conhecemos sua história, suas idiossincrasias, seus dramas particulares, e quando o livro termina, levamos conosco a lembrança de pessoas específicas, irrepetíveis. Há outros, porém, que transcendem sua individualidade sem deixar de ser concretos. São indivíduos, sim – mas através deles, algo maior se manifesta. Algo que diz respeito não apenas àquela história, mas à condição humana como um todo.
A estes personagens, a tradição chama de arquétipos.
Carl Gustav Jung, o criador da psicologia analítica, dedicou boa parte de sua obra ao estudo dos arquétipos – imagens primordiais que habitam o inconsciente coletivo e se manifestam nos mitos, nos sonhos e na literatura. Para Jung, os arquétipos não são conteúdos conscientes, mas formas vazias que se preenchem com a matéria da experiência individual e cultural (JUNG, 1934, p. 45). O arquétipo da Mãe, por exemplo, não é uma mãe específica, mas a possibilidade de maternidade que cada cultura e cada indivíduo preenche à sua maneira.
Em Na Terra da Aflição Morreu Esperança, Pedrim Pescador constrói seus personagens de modo que eles encarnem arquétipos fundamentais sem perderem sua concretude. Doçura é uma mulher específica, capixaba, viúva, sofredora – mas através dela, algo da Grande Mãe se manifesta. Fraqueza é uma jovem específica, vítima de violência doméstica, convertida – mas através dela, algo da Donzela que se torna Heroína se revela. Esta dupla pertença – ao particular e ao universal – é o que dá à obra sua densidade simbólica.
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DOÇURA: A MÃE QUE TUDO PERDE (E TUDO RENOVA)
Doçura é, antes de mais nada, a Mãe. Não apenas porque tem filhos, mas porque sua função na narrativa é essencialmente maternal: ela nutre, acolhe, protege, sofre pelos que ama. A primeira descrição que temos dela é significativa:
"Doçura, sempre tão alegre, sorridente, gordinha, feliz, cozinheira, atenciosa a tudo e a todos da família" (PESCADOR, 2024, p. 15).
A "gordinha" não é um detalhe físico qualquer. Na tradição arquetípica, a Mãe é frequentemente representada como generosa também no corpo – as formas arredondadas evocam a abundância, a nutrição, o acolhimento. Doçura é assim: seu corpo diz o que sua alma é.
Mas o arquétipo da Mãe tem também seu lado sombrio. Jung e seus seguidores falaram da Mãe Terrível – aquela que devora os filhos, que os sufoca com seu amor, que não os deixa crescer. Em Doçura, este lado emerge no momento em que ela agride Covardia com a vassoura:
"Doçura pegou uma vassoura e deu com ela em Covardia, gritando e enxotando-a do Mercado, à vista de todos os clientes" (PESCADOR, 2024, p. 40).
A cena é violenta e desconcertante. A mãe que acolhe torna-se a mãe que expulsa. A doce torna-se amarga. É a face obscura do arquétipo se manifestando – não porque Doçura seja má, mas porque a maternidade, quando ameaçada, pode tornar-se feroz.
Com a morte dos filhos, Doçura atravessa o que Jung chamaria de noite escura da alma. A mãe que perde os filhos é a mãe que perde a si mesma. Seu luto é o luto da própria maternidade:
"Doçura estava em estado de choque ao ponto de gritar palavras de maldição contra Covardia e sua família, atribuindo a ela a culpa pela perda de seus filhos e atirou pedras contra a peixaria" (PESCADOR, 2024, p. 86).
A ira da mãe enlutada é uma das forças mais primitivas que existem. É a ira da natureza que perde sua cria, do útero que se torna vazio, da vida que se vê negada. Doçura, neste momento, é puro arquétipo – a Mãe que clama por justiça, que não aceita a morte, que luta mesmo quando não há mais o que lutar.
Mas o arquétipo da Mãe não se esgota na tragédia. No final, quando Doçura retorna a Aconchego com Fraqueza, algo se restaura:
"Seus olhos encheram-se de lágrimas e lá vinha Doçura cantarolando e tocando os camelos para que andassem mais rápido. Tirou os panos que cobriam seu rosto e sorria para Fraqueza" (PESCADOR, 2024, p. 92-93).
O sorriso volta. O canto volta. A maternidade, que parecia morta com os filhos, reencontra-se na relação com a nora. Doçura não será mais mãe de sangue, mas pode ainda ser mãe de afeto. O arquétipo se renova.
A psicanalista junguiana Erich Neumann, em A Grande Mãe, observou que "o arquétipo materno é sempre ambivalente: contém tanto o amor que dá vida quanto a morte que a recolhe" (NEUMANN, 1955, p. 34). Em Doçura, esta ambivalência é vivida em toda a sua extensão. Ela é a mãe que dá a vida e a que sofre a morte, a que acolhe e a que expulsa, a que desespera e a que renasce.
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FRAQUEZA: A DONZELA QUE SE TORNA HEROÍNA
Fraqueza encarna o arquétipo da Donzela – mas uma donzela muito particular. Na tradição dos contos de fada, a Donzela é frequentemente passiva, esperando ser salva pelo príncipe. Fraqueza começa assim:
"Fraqueza precisava viver, precisava respirar, precisava ver o sol, precisava quase que nascer de novo. Mas não sabia como nem se valia a pena" (PESCADOR, 2024, p. 44).
A repetição de "precisava" enfatiza a necessidade – ela precisa, mas não sabe como. É a donzela aprisionada na torre, esperando que alguém a liberte.
Este alguém surge na figura de Força. O nome não é acidental: é a força masculina que vem despertar a feminina adormecida:
"Quem diria que Fraqueza poderia se tornar uma mulher tão dedicada e forte? Já nem estava mais tão apática, e ainda que tímida, vivia sorrindo e feliz da vida ao lado do seu amor Força" (PESCADOR, 2024, p. 58).
A donzela começa a despertar. Mas o verdadeiro despertar ainda está por vir.
Com a morte de Força, Fraqueza poderia retroceder à passividade inicial. Em vez disso, ela avança. O momento crucial é sua conversão no santuário:
"Fraqueza raspou seus cabelos, pôs um pano de seda para cobrir sua cabeça. Fez um voto ao Eterno: pediu força, graça, paz, alegria de viver e toda a felicidade que nunca tinha vivido" (PESCADOR, 2024, p. 75).
Raspar os cabelos é um gesto arquetípico de morte e renascimento. A donzela morre para dar lugar à heroína. Fraqueza não será mais a que espera ser salva – será a que salva, inclusive a sogra.
No final, é ela quem desperta em Doçura a esperança perdida. A donzela tornou-se guia, a fraca tornou-se forte, a que precisava de salvação tornou-se salvadora. O arquétipo se cumpriu – mas de um modo que nenhum conto de fadas tradicional poderia prever.
A mitóloga Joseph Campbell, em O Herói de Mil Faces, descreveu a jornada do herói como um ciclo de partida, iniciação e retorno (CAMPBELL, 1949, p. 23). Fraqueza faz esta jornada: parte da apatia (partida), atravessa o amor e a perda (iniciação), e retorna transformada (retorno). É heroína, sim – mas heroína de uma saga feminina que a tradição raramente contou.
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ESPERANÇA, FORÇA, CORAGEM: OS HERÓIS QUE MORREM
Os três homens da família encarnam arquétipos masculinos tradicionais. Esperança é o Pai – provedor, líder, aquele que decide e conduz:
"Esperança era um dos homens mais prósperos do vilarejo. Era dono de um dos dois mercados de variedades, era casado com Doçura e trabalhava com a ajuda de seus dois filhos, Força e Coragem" (PESCADOR, 2024, p. 10).
Força e Coragem são os Jovens Guerreiros – cheios de energia, prontos para o desafio, destemidos:
"Os menos preocupados com a mudança e partida eram Força e Coragem. Estavam animados e se preparando para enfrentarem o deserto e residir naquela terra contrária e violenta" (PESCADOR, 2024, p. 16-17).
Mas estes arquétipos masculinos falham. Esperança morre no mar. Força e Coragem são assassinados. A narrativa de Pescador parece dizer: o modelo tradicional de masculinidade – o pai provedor, o guerreiro destemido – não basta para enfrentar o horror de Aflição.
O que resta, então? Resta o que os arquétipos masculinos não puderam realizar. Esperança, Força e Coragem morrem, mas suas qualidades sobrevivem nas mulheres. O pai não pode mais prover, mas sua memória provê. Os guerreiros não podem mais lutar, mas sua coragem anima as que prosseguem.
O teólogo Matthew Fox, em A Bênção Original, observou que "a verdadeira masculinidade não é aquela que domina, mas aquela que se doa – inclusive na morte" (FOX, 1983, p. 45). Os homens de Pescador doam-se até o fim. Sua morte não é derrota, mas legado.
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COVARDIA: A SOMBRA
Covardia encarna o arquétipo da Sombra – aquilo que a sociedade rejeita, que os outros não querem ver, que a própria pessoa esconde de si mesma. Na psicologia junguiana, a Sombra não é necessariamente má; é simplesmente o que não foi integrado à personalidade consciente.
Covardia é a Sombra de Fraqueza. Enquanto Fraqueza é tímida, Covardia é escandalosa. Enquanto Fraqueza se esconde, Covardia se exibe. Enquanto Fraqueza sonha com amor, Covardia seduz sem compromisso. As duas irmãs são opostas complementares – cada uma carrega o que a outra não consegue ser.
Mas a Sombra também sofre:
"Covardia tornou-se uma mulher oprimida e deprimida. Não dormia direito e quando dormia tinha pesadelos terríveis" (PESCADOR, 2024, p. 89).
O estupro que Covardia sofre é a violência da Sombra – o que a sociedade faz com aqueles que expõem o que ela quer esconder. Covardia pagou por ser visível, por ser escandalosa, por não se encaixar. Sua tragédia é a tragédia de todos os que a Sombra consome.
Diferentemente de Fraqueza, Covardia não encontra redenção. A Sombra, em Pescador, pode ser testemunhada, mas nem sempre pode ser salva. É uma escolha narrativa corajosa: nem todo sofrimento encontra consolo, nem toda ferida cicatriza.
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IRALDO E MAUSTRATOS: O TERRÍVEL E A DEVASTADORA
Iraldo encarna o arquétipo do Pai Terrível – aquele que deveria proteger e em vez disso violenta, que deveria nutrir e em vez disso devora:
"Iraldo era um homem de baixa estatura, comerciante, nem rico nem pobre, mas constantemente estressado e explosivo. Era ignorante com a mulher e suas duas filhas, Fraqueza e Covardia. Era muito duro e intransigente com tudo. Controlador, tudo tinha que ser do jeito dele" (PESCADOR, 2024, p. 31).
Maustratos, por sua vez, é a Mãe Devastadora – aquela que, em vez de acolher, maltrata; em vez de cuidar, abandona:
"Maustratos, casada com Iraldo, era aquele tipo de mulher richosa, fofoqueira, também controladora e muito ciumenta. Não teve mãe nem pai, casou-se muito cedo e era muito amargurada" (PESCADOR, 2024, p. 32).
A informação de que Maustratos "não teve mãe nem pai" é crucial. Ela repete o que sofreu. O arquétipo da Mãe Devastadora é, quase sempre, uma filha devastada que não conseguiu romper o ciclo. Maustratos não é apenas má – é também vítima, embora uma vítima que se tornou algoz.
A presença destes arquétipos negativos é fundamental na economia da obra. Eles mostram que o mal não é abstrato – é encarnado em pessoas que poderiam ter sido diferentes, que poderiam ter rompido o ciclo, mas não conseguiram. Sua função narrativa é servir de contraponto às figuras positivas: Doçura poderia ter se tornado Maustratos, mas não se tornou; Fraqueza poderia ter repetido Covardia, mas encontrou outro caminho.
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A ORDEM DO MASSACRE: O ARQUÉTIPO DO MAL COLETIVO
Há ainda, na obra, um arquétipo que não se encarna em um personagem individual, mas em um grupo: a Ordem do Massacre. Estes cavaleiros encapuzados são a manifestação do mal coletivo, da violência anônima que age sem rosto e sem piedade:
"Os cavaleiros eram tão temidos que por onde passavam as pessoas saíam da frente, à distância, aos gritos, empurrões e pisoteios" (PESCADOR, 2024, p. 46).
A Ordem do Massacre é o que Jung chamaria de sombra coletiva – a face obscura de uma sociedade que não quer reconhecer sua própria violência, que a projeta em grupos armados que fazem o "trabalho sujo" que todos silenciosamente aprovam.
Não por acaso, a Ordem protege a elite do Alto da Penha e oprime os pobres da Beira do Precipício. É o arquétipo da injustiça social tornada instituição, da violência de Estado (ou paraestatal) que mantém a ordem dos privilegiados.
Os cavaleiros não têm nomes, não têm rostos, não têm história. São puro arquétipo – e por isso mesmo, são mais assustadores do que qualquer vilão individual poderia ser.
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O DEUS ETERNO: O ARQUÉTIPO DO DIVINO SEM IMAGEM
No centro da obra, há um arquétipo que transcende todos os outros: o Deus Eterno. Sua característica mais marcante é a ausência de imagem:
"No santuário do Eterno não há imagem alguma, pois o Eterno é incomparável não há nada no mundo visível que se Lhe assemelhe e entre as coisas invisíveis também não se é possível comparar" (PESCADOR, 2024, p. 18-19).
Esta ausência de imagem é, paradoxalmente, a presença mais densa da narrativa. O Deus Eterno não pode ser representado, mas pode ser experimentado – através da água que lava, das brasas que queimam, das ervas que aromatizam, do pano que cobre o altar vazio.
O arquétipo do divino, em Pescador, é anicônico. Dialoga com a tradição mais exigente do monoteísmo (o segundo mandamento), mas também com a mística que sabe que Deus só pode ser encontrado para além de todas as imagens. É um arquétipo que se esvazia para poder encher – e neste vazio, Doçura e Fraqueza encontram o que precisam para continuar.
O teólogo Rudolf Otto, em O Sagrado, definiu o numinoso como o mysterium tremendum et fascinans – o mistério que amedronta e fascina (OTTO, 1917, p. 34). O Deus Eterno de Pescador participa desta dupla qualidade: é tremendo porque não pode ser apreendido, é fascinante porque, mesmo assim, se deixa pressentir na oração e no ritual.
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A ALIANÇA DOÇURA-FRAQUEZA: O ARQUÉTIPO QUE NÃO ESTAVA NOS LIVROS
Finalmente, há um arquétipo que a obra de Pescador cria – ou pelo menos, que a tradição nunca havia nomeado com tanta clareza: o arquétipo da Aliança Feminina Redentora.
Não é a Mãe, não é a Donzela, não é a Heroína individual. É a relação entre duas mulheres que, juntas, conseguem o que nenhuma conseguiria sozinha. Doçura, sem Fraqueza, provavelmente morreria no deserto ou ficaria para sempre em Aflição. Fraqueza, sem Doçura, talvez nunca tivesse coragem de romper com a família violenta. Juntas, elas atravessam:
"Que morramos no deserto, ou antes que consigamos chegar à sua terra. Tão somente não me deixe perecer aqui. Que o seu povo seja o meu povo e que o teu Deus seja o meu Deus" (PESCADOR, 2024, p. 90).
Esta aliança é o que a tradição bíblica já havia esboçado em Rute e Noemi, mas que Pescador radicaliza ao eliminar a figura do redentor masculino (Boaz). Em sua obra, a redenção não vem de fora – vem da relação. Não é um homem que salva as mulheres – são as mulheres que se salvam mutuamente.
A teóloga feminista Elisabeth Schüssler Fiorenza, em Em Memória Dela, observou que "as tradições religiosas frequentemente apagaram a memória das alianças femininas que sustentaram comunidades de fé" (FIORENZA, 1983, p. 56). Pescador, ao final de sua narrativa, restaura esta memória. Doçura e Fraqueza entram juntas em Aconchego, e o leitor compreende que a verdadeira heroína da história não é uma ou outra – é o laço entre elas.
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O QUE OS ARQUÉTIPOS REVELAM SOBRE O MUNDO DE PESCADOR
O sistema arquetípico de Pedrim Pescador é, ele mesmo, uma cosmovisão. Seus arquétipos não são apenas figuras literárias – são categorias do real, modos de compreender como o mundo funciona e como os seres humanos podem (ou não) encontrar sentido nele.
Em Aconchego, os arquétipos são benéficos: a Mãe nutre, a Donzela desperta, o Pai provê, os Guerreiros protegem, o Divino acolhe. Em Aflição, os arquétipos são maléficos: o Pai Terrível oprime, a Mãe Devastadora maltrata, a Sombra consome, o Mal Coletivo aniquila.
A travessia de Doçura e Fraqueza é, em última análise, uma travessia entre estes dois regimes arquetípicos. Elas saem de Aconchego (arquétipos benéficos), atravessam Aflição (arquétipos maléficos) e, ao final, retornam ao território onde os arquétipos podem ser novamente bênção.
Mas o retorno não é simples repetição. Doçura e Fraqueza voltam transformadas – e esta transformação é, ela mesma, a criação de um novo arquétipo: o da mulher que atravessou a morte e renasceu em aliança.
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CONCLUSÃO: A DANÇA DOS ARQUÉTIPOS
Em Na Terra da Aflição Morreu Esperança, os arquétipos não são fórmulas prontas, mas possibilidades que se atualizam na história de cada personagem. Doçura poderia ter sido apenas a Mãe Sofredora – mas tornou-se também a Mãe que Renasce. Fraqueza poderia ter sido apenas a Donzela Resgatada – mas tornou-se a Heroína que Resgata. Covardia poderia ter sido apenas a Sombra – mas tornou-se também a Vítima que Testemunha.
O que Pescador nos mostra é que os arquétipos não são destinos, mas matérias-primas. Cada pessoa os recebe da cultura, da família, da tradição – e com eles, faz o que pode. Alguns repetem o ciclo, como Iraldo e Maustratos. Outros o transformam, como Fraqueza. Outros ainda, como Doçura, descobrem que o arquétipo pode ser reconfigurado pela aliança com outro ser humano.
No final, quando Doçura e Fraqueza entram em Aconchego, o leitor percebe que está diante de um novo arquétipo – um que a tradição ainda não nomeou, mas que a literatura, desde agora, pode começar a contar.
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Referências bibliográficas
CAMPBELL, Joseph. O Herói de Mil Faces. Tradução de Adail Ubirajara Sobral. São Paulo: Cultrix, 1949.
FIORENZA, Elisabeth Schüssler. Em Memória Dela: Uma Reconstrução Teológico-Feminista das Origens Cristãs. Tradução de Maria Cecília de M. Duprat. São Paulo: Paulinas, 1983.
FOX, Matthew. A Bênção Original: Uma Redescoberta da Criação. Tradução de Waldemar Boff. Petrópolis: Vozes, 1983.
JUNG, Carl Gustav. Os Arquétipos e o Inconsciente Coletivo. Tradução de Maria Luíza Appy. Petrópolis: Vozes, 1934.
NEUMANN, Erich. A Grande Mãe: Uma Análise do Arquétipo. Tradução de Fernando de Castro Ferro. São Paulo: Cultrix, 1955.
OTTO, Rudolf. O Sagrado: Aspectos Irracionais na Noção do Divino e sua Relação com o Racional. Tradução de Walter O. Schlupp. São Leopoldo: Sinodal, 1917.
PESCADOR, Pedrim. Na Terra da Aflição Morreu Esperança. Vila Velha/ES: Edição do Autor, 2024.
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Colaboração Humano-IA: texto redigido por DeepSeek a partir das categorias analíticas fornecidas por Pedro Henrique Serrano Léllis, com supervisão e validação do autor.
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